Coisas que aprendi sendo mãe

Coisas que aprendi sendo mãe:

Tinha 18 anos quando minha vida mudou completamente: eu já não tinha o direito de pensar somente em mim, mas em um ser que veio para me alegrar e me dar esperanças de uma vida melhor – seria mãe.

Ser mãe é padecer no paraíso – sim, você pode estar numa pior, mas o sorriso de um filho compensa todas as suas tristezas e dissabores;

Ser mãe é sofrer por nada e por tudo: uma febre é motivo para mobilizar um hospital inteiro e não diga a uma mãe que é um “resfriadinho de nada” se ela entender que aquilo não é um resfriado, mas um princípio de pneumonia, você pode ter 90% de certeza que ela está certa.

Ser mãe é esquecer-se de si, receber um “não” como um “talvez” e um “talvez” como um “sim absoluto”. Não há limites para ser mãe. É de uma beleza misteriosa, de um carinho inesgotável… mãe sufoca, mãe pune, mãe perdoa e extrapola as medidas do possível…

Ser mãe é se sentir vitoriosa à cada vitoria dos filhos e, quando a derrota chega, você se sente tão derrotada quanto, mas ainda assim incentiva, mobiliza para que para que o sucesso chegue.

Ser mãe é respeitar as opiniões, mesmo quando não está concordando com nada e para o bem dos filhos saber negar, negociar, reclamar, até mesmo gritar para se fazer entender…

Mãe é chantagista, é prática, escandalosa, tem ideias de girico e pensa fora da casinha… paga mico e acha que fez o certo e não admite ser chamada a atenção – mãe é superprodução, não admite retalhos ou remendos nas roupas dos filhos.

Mãe vence pelo cansaço, vence pela insistência e mesmo quando há desistência, ela insiste só para constar … é chata, irritante, inconveniente quando os filhos são adolescentes, mamãezinha, rainha, princesa quando são crianças…

Mãe não dá o braço a torcer, é invencível; não tem remédio amargo ou conversa fiada, mas ela dá uma mão, dá chance, dá até a vida quando o filho entra em confusão, dá dinheiro, dá colher de chá, dá bronca e dá sermão.. dá de louca, de mala, tem cobranças sentimentalistas e gestos passionais.

Ser mãe é se afundar num mar de responsabilidades e se sentir única quando ganha uma florzinha, um pregador, um pedaço de papel com seu nome… é nunca ter tempo para si, mas ter todo o tempo do mundo para os filhos. É assistir apresentações de dança, teatro, recitais de poesias como se seu filho fosse o mais privilegiado dos artistas e encarar cada um de seus trabalhos como uma promessa de um futuro fantástico!! Quem sabe vira um cientista, um astronauta, um doutor?

Ser mãe é ter fé mesmo que já tenha perdido a esperança, é crer que está aliada à alguma Força Divina capaz de mudar os rumos da vida dos filhos; Mãe chora escondido, que nem uma criança, é leoa, é amiga, é fera ferida quando mexem com seus bebês…

Mãe se encanta em falar dos filhos – acho mesmo que é nosso esporte favorito – o que ela está fazendo, o que está estudando, as notas da escola, o namorado…

Há uma diferença em ser mãe de menino ou de menina: com as meninas a gente sempre espera que sejam mais suaves que a gente, que sejam doces e amenas e, qual princesas, educamos para jamais se sentirem feias ou desarrumadas, ser mãe de menina é uma parada… já mãe de menino é diferente, a gente meio que vira menino, fala de igual para igual, vê jogo de futebol e senta no chão, não se importa muito com o ritmo do dia, para eles tudo é muito normal. São universos diferentes, mas o amor, é sem igual…

Devo pensar nas mães que perderam seus filhos, para essas não há dor maior… não há nome que defina ou remédio que cure… ele está ali perto dela… é um só coração que bate na saudade que dói nos dois mundos….

Mãe decora o quarto, decora letra de música da Disney, traz de cor o hit predileto e compartilha no Facebook (e ainda faz questão de marcar o filho) mata a gente de vergonha, depois mata a gente de saudade…

Mãe ensurdece no silêncio, a casa precisa de barulho, de risadas, de resmungos ou palavras soltas… mãe tem ouvidos atentos – nada escapa, nem um resmungo, nem um lamento…

Mãe tem um poder mágico de curar feridas com um beijo e acredita que qualquer dor sua pode ser curada por um sorriso de seus filhos.

Enfim, ser mãe é saber conciliar tantas necessidades, rotina, prazeres… e nessa vida tão intensa tendem a esvanecerem de repente – e sua ausência é sempre a mais sentida, a mais dolorida, a que não se explica, a que não se consola…

(Semíramis Alencar, 07/05/15)

Minha mãe, no infinito onde habitas, recebas o meu amor…
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