Ensaio fotográfico mostra antes e depois de pessoas que sofreram bullying na escola

antes2

Publicado em 22 de agosto de 2013 | por Diego Santos

Ensaio fotográfico mostra antes e depois de pessoas que sofreram bullying na escola

“Mas o que é que viu ele refletido em baixo? Observou-se bem — já não era uma desajeitada ave feia e cinzenta. Era igual às orgulhosas aves brancas ali ao pé: era um cisne!

Sentiu-se feliz por ter sofrido tantas dificuldades, porque agora dava valor à sua boa sorte e ao lar que finalmente tinha encontrado. “Os majestosos cisnes nadaram à sua volta e acariciaram-no com admiração com os bicos”.

(Trecho da fábula “O Patinho Feio”)

 

 A princípio planejei iniciar este texto com a célebre teoria de Heráclito sintetizada pela máxima “só a mudança é eterna”, ou com uma adaptação da mesma teoria presente na canção de Lulu Santos (“nada do que foi será”). No entanto, achei que a citação do conto infantil fosse mais apropriada aos casos apresentados no projeto Awkward Years Project  (“Projeto Anos Difíceis”).

Idealizado pela designer gráfica americana Marilee, o projeto consiste em um ensaio fotográfico que apresenta pessoas que, no passado, sofreram algum tipo de bullying por sua aparência e hoje, já tendo superado tudo isso, posam para as câmeras mostrando fotos e se lembrando desse triste período de suas vidas.

A idéia surgiu quando uma amiga se recusou a acreditar que Marilee – hoje uma linda mulher – havia sofrido durante a juventude devido à sua aparência.

Na descrição, a autora comenta:

“Quero apresentar um grupo de pessoas que compartilham seus anos mais difíceis e mostrar o quão incríveis essas pessoas se tornaram. Este projeto é para todos vocês que estão lutando lá fora e para aqueles que amam observar o ‘antes e depois’ por meio de retratos.”

Veja algumas das fotografias abaixo:

 

 

 

 

 

 

 

Você pode conferir mais fotos – além do depoimento de cada uma dessas pessoas sobre esse “estranho passado” – no site do projeto. A propósito, Marilee é a garota abaixo:

 

É claro que não podemos ser hipócritas e dizer que estas pessoas “venceram o bullying” apenas por terem crescido, mudado e, assim como o Patinho Feio, terem se tornado “belas pessoas”. De certo modo, acreditar que isso apenas reforçaria o padrão de beleza imposto pela sociedade.

Entretanto, este ensaio fotográfico vai além. Na Introdução do projeto, a autora conta um pouco sobre o que passou:

“(…) infelizmente eu sofria bullying. Se não fosse por eu ser tão magricela, sofria pelos meus 4 olhos (óculos) ou minhas roupas fora de moda”

A idealizadora do ensaio ainda afirma que, quando criança, voltou para casa chorando várias vezes.

Através dessas fotos, Marilee nos mostra como o bullying deixa cicatrizes que podem incomodar mesmo após a superação desse trauma.

“Eu sei que a foto foi tirada há 20 anos, mas o passado ainda me afeta. É como a mentalidade das pessoas com excesso de peso que emagreceram, mas ainda se vêem com gordura. É assim que me sinto. Eu posso parecer normal agora, mas eu ainda me vejo como uma nerd estranha.”

Deste modo, o Awkward Years Project pode ser visto como um incentivo de superação aos que ainda sofrem com qualquer tipo de bullying, e pode mostrar que qualquer indivíduo sempre possui outras qualidades e talentos e que isso não depende do fato de ele ser um reflexo do que a sociedade espera dele.

Por fim, peço permissão pra encerrar este post com um videoclipe da banda de Punk Rock/Hardcore Rise Against. Na música “Make it Stop” (“Faça isso Parar”), a banda fala sobre o bullyingfocando, sobretudo, o preconceito em relação à homossexualidade. Contudo, acredito que a música também possa se relacionar com o tema deste texto – principalmente nos últimos segundos, quando vemos pessoas que “superaram” o preconceito afirmando: “It gets better” (“Fica Melhor”, em tradução livre).

 

 Diego (Ubi) cursa História na Unioeste, é fã de Histórias em Quadrinhos, Rock n’ roll e acredita que foi rejeitado pela Seleção Natural de Darwin.

_____

Nota da Se

Sofri bullying na escola. Muitas vezes odiei ter que acordar mais um dia para frequentar as insuportáveis aulas, os alunos e professores medíocres. Nunca pensei em me tornar professora, foi por acaso. Tento pelo menos ajudar que essas situações não ocorram com outros alunos. É cruel, fatídico, enlouquecedor: você fica entre o extremo ódio que te faz querer matar quem te aviltou e se matar. Graças a Deus não deu tempo para que conseguissem. Eu sobrevivi.

Anúncios