Câncer e responsabilidade – 04/02 Dia Mundial do Câncer

04/02 – Dia Mundial do Câncer

O Dia Mundial do Câncer é uma iniciativa da União Internacional para o Controle do Câncer (UICC) que tenta evitar milhões de mortes a cada ano por meio do aumento da consciência e educação sobre doença, além da pressão sobre governos e indivíduos em todo o mundo para que se mobilizem pelo controle do câncer.
O tema deste ano são mitos universais sobre o câncer, que precisam ser desconstruídos:
Câncer é apenas um problema de saúde
Câncer é uma doença de idosos
Câncer é questão de destino
O câncer é uma sentença de morte
Depois de alguns anos focando exclusivamente no tópico prevenção, a campanha do Dia Mundial do Câncer deste ano está centrada no quinto alvo da Declaração Mundial do Câncer: Acabar com os mitos e equívocos sobre o câncer. Com o slogan “Câncer – Você sabia?”, o Dia Mundial do Câncer 2013 é uma chance de partilhar fatos reais sobre o câncer e eliminar equívocos em torno da doença.
Instituído em 2005, o Dia Mundial do Câncer é celebrado todo dia 4 de fevereiro por diversos países. No ano passado, 80 países se mobilizaram em torno da data.

No Brasil, a iniciativa tem apoio do INCA, que é instituição parceira da UICC, considerada estratégica para o controle do câncer na América Latina.

“Com o crescimento e o envelhecimento da população no Brasil, é esperado que o número de casos de câncer aumente no País. Mas isso não significa que todas as pessoas quando envelhecerem vão ter câncer. Entre 30% a 40% dos casos da doença podem ser evitados com hábitos saudáveis: não fumar, ter uma alimentação saudável, praticar atividades físicas, controlar o peso e o consumo de álcool e usar proteção solar. Esse é a principal mensagem do Dia Mundial do Câncer este ano: existe prevenção e hábitos saudáveis devem ser adotados, se possível, desde a juventude. É preciso que todos aprendam a se proteger e evitem se expor desnecessariamente a fatores de risco para o câncer.”
Luiz Antonio Santini

Día mundial contra el cáncer de mama
Día mundial contra el cáncer de mama (Photo credit: María Gámez Málaga)

Diretor-geral do INCADía mundial contra el cáncer de mama (Photo credit: María Gámez Málaga)

“É o medo e a ignorância que fazem com que o câncer se torne um problema maior que o necessário, especialmente nos países em desenvolvimento, como a Índia. Trabalhando em conjunto, podemos alcançar o nosso objetivo mútuo de derrotar o câncer em nossas vidas.”
Y. K. Sapru
Fundador e presidente da Associação de Cuidados de Pacientes de Câncer Índia
“Há uma vasta gama de mitos e desinformação sobre o câncer, particularmente on-line onde isso cresce exponencialmente. O grande volume dessas desinformações ameaça conselhos de saúde baseados em evidências e que podem fazer diferença real na redução do risco de câncer. Pessoas que leem informações não confiáveis on-line sobre as causas de câncer são menos propensos a tomar atitudes simples que comprovadamente reduzem o risco de câncer – não fumar, evitar o sol, manter peso saudável e reduzir a ingestão de álcool.
Professor Ian Olver 
Día mundial contra el cáncer de mama
Día mundial contra el cáncer de mama (Photo credit: María Gámez Málaga)

Día mundial contra el cáncer de mama (Photo credit: María Gámez Málaga)

Mito: Ter câncer é uma questão de destino.

Verdade: Com as estratégicas certas, aproximadamente 30% dos casos de câncer podem ser evitados.

A prevenção é a maneira mais econômica e sustentável de reduzir o ônus do câncer global em longo prazo. Políticas e programas locais, regionais e nacionais que promovem estilos de vida saudáveis são essenciais para a redução dos cânceres que são causados por fatores comportamentais como tabagismo, consumo de álcool, dieta pouco saudável e falta de atividade física. O uso de tabaco está ligado a 71% de todas as mortes por câncer de pulmão e pelo menos 22% de todas as mortes por câncer.
Para países de renda baixa e média, estima-se que as infecções crônicas expliquem aproximadamente 23% de todos os cânceres, como o de fígado, do colo do útero e de estômago, associados a infecções pelo vírus da hepatite B (HBV), papilomavírus humano (HPV) e a bactéria  helicobacter pylori (H. pylori), respectivamente.
Exposição a uma vasta gama de causas ambientais do câncer em casa e no local de trabalho, incluindo exposição à aflatoxinas, poluição interna do ar, radiação e luz do sol excessiva também são importantes causas evitáveis de câncer.
Igualmente importante é o desenvolvimento de estratégias para encorajar o comportamento de busca por ajuda, incluindo consciência e educação sobre como reconhecer os sinais e sintomas para os cânceres de mama, colorretais, pele e bucal, e entender que uma avaliação em tempo hábil dos sintomas aumentará as chances de cura.
Hospital do câncer de São Paulo
Hospital do câncer de São Paulo (Photo credit: Wikipedia)

Hospital do câncer de São Paulo (Photo credit: Wikipedia)Evidências

  • As pessoas, as lideranças políticas e os profissionais de saúde precisam compreender que muitos casos de câncer podem ser evitados com mudanças apropriadas no estilo de vida, que o câncer pode frequentemente ser curado, e que há tratamentos eficazes disponíveis, independentemente do cenário econômico.
  • Em muitos países em desenvolvimento, o estigma associado ao câncer pode levar os pacientes a procurarem tratamentos alternativos em vez de tratamentos padrão.
  • Embora a consciência geral do câncer em países em desenvolvimento seja baixa, o nível de interesse a respeito da doença é alto, e o público está atento às mensagens sobre a doença.
  • Recentes experiências com rastreamento em países em desenvolvimento sugerem que, uma vez que as pessoas compreendem as informações básicas sobre o câncer e sabem como acessar os serviços, elas tendem procurá-los. Não menos importante é o desenvolvimento de estratégias para incentivar a procura por ajuda, incluindo sensibilização e educação sobre as maneiras de reconhecer os sinais e sintomas, bem como compreender que o diagnóstico em tempo hábil aumentará as possibilidades de cura.

Mito: O câncer não é apenas um problema de saúde.
Verdade: O câncer possui implicações de grande alcance social, econômico e de direitos humanos.

O câncer constitui um grande desafio ao desenvolvimento, debilitando os avanços sociais e econômicos por todo o mundo (OMS, 2011). Aproximadamente 47% dos casos de câncer e 55% das mortes por câncer ocorrem em regiões menos desenvolvidas do mundo. Até 2030, se a tendência atual continuar, a incidência de câncer aumentará 81% nos países com HDI baixo e médio comparado com 2008.

Hoje, o impacto do câncer sobre as pessoas, comunidades e populações ameaça impedir a realização das metas de desenvolvimento globais atuais, as Metas de Desenvolvimento do Milênio (MDGs) que vencem em 2015. O impacto sob a produtividade e renda familiar e os altos custos de tratamento empobrece as famílias.

Ao mesmo tempo, a pobreza, falta de acesso à educação e à assistência médica expõem a população a riscos adicionais para desenvolver e morrer de vários cânceres. Apenas dois tipos de cânceres, o do colo do útero e o de mama, juntos, somam mais de 750.000 mortes a cada ano, a maior parte em países de baixa e média rendas.

Mito: O câncer é uma sentença de morte


Verdade: Muitos cânceres que já foram considerados uma sentença de morte podem agora ser evitados ou curados. Para muitas pessoas afetadas pelo câncer, a doença pode ser gerenciada como uma condição crônica. Somente nos Estados Unidos, existem 12 milhões de americanos vivendo com câncer.

Avanços no entendimento do risco e estratégias de prevenção, na detecção precoce e no tratamento revolucionaram a gestão do câncer, levando a melhores resultados para os pacientes.

Mito: O câncer é uma doença de idosos

Verdade:
 O câncer afeta pessoas de todas as idades, muitas no momento em que elas estão mais produtivas. Isso é uma tragédia para as famílias e tem o potencial de causar impacto no longo prazo sobre o desenvolvimento econômico.

O câncer também afeta os jovens. Para crianças com idade entre 5-14 anos, o câncer é a terceira principal causa de morte em países de renda alta-média, quarto em países de renda baixa-média e oitavo em países de baixa renda.

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