O Presente

O homem, por detrás do balcão, olhava a rua de forma distraída, quando uma garotinha se aproximou da loja e amassou o narizinho contra o vidro da vitrina… Os olhos da cor do céu brilharam quando viu determinado objeto. Entrou na loja e pediu para ver o colar de turquesas azuis. “É para minha irmã. Pode fazer um pacote bem bonito? O dono da loja olhou desconfiado para a garotinha e lhe perguntou:” – Quanto dinheiro você tem?”.

Sem hesitar, ela tirou do bolso da saia um lenço todo amarradinho e foi desfazendo os nós. Colocou-o sobre o balcão e disse: “Isto dá, não dá?…” Eram apenas algumas moedas, que ela exibia orgulhosa…” – Sabe, eu quero dar este colar azul para a minha irmã mais velha.

Desde que nossa mãe morreu, ela cuida da gente e não tem tempo para ela. É aniversário dela e tenho certeza que ela ficará feliz com o colar que é da cor dos seus olhos. “O homem foi para o interior da loja, colocou o colar em um estojo, embrulhou com um vistoso papel vermelho e fez um laço caprichado com uma fita verde. – Tome, leve com cuidado! Ela saiu feliz, saltitando pela rua abaixo. Ainda não acabara o dia quando uma linda jovem, de longos cabelos loiros e maravilhosos olhos azuis, adentrou a loja.

Colocou sobre o balcão o já conhecido embrulho, desfeito, e indagou: – Este colar foi comprado aqui? – Sim, senhora. E quanto custou? – Ah, falou o dono da loja, o preço de qualquer produto da minha loja é sempre um assunto confidencial entre o vendedor e o freguês… A moça continuou: “mas minha irmã tinha somente algumas moedas… O colar é verdadeiro, não é? Ela não teria dinheiro para pagá-lo!”

O homem tomou o estojo, refez o embrulho com extremo carinho, colocou a fita e devolveu à jovem, dizendo: – Ela pagou o preço mais alto que qualquer pessoa pode pagar… Ela deu tudo o que tinha! O silêncio encheu a pequena loja, e duas lágrimas rolaram pelas faces da jovem, enquanto suas mãos tomavam o embrulho e ela retornava ao lar, emocionada…

Verdadeira doação é dar-se por inteiro, sem restrições,
pois quem ama não coloca limites para os gestos de ternura

 

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