Bad bad days… Semíramis Alencar

A instabilidade profissional e a fragilidade de saude fizeram certa baderna em minha vida pessoal. Ou seja, tudo evolui, até o câncer, por quê  não eu?

Levo minha vida, de um ano prá cá, como os antigos babilônicos – como se cada dia fosse o último –  procuro viver em estado de plenitude e grande felicidade, nas rodas de minha bike, sentindo  o vento no rosto, ao som de The Smiths ou A-ha, nos intervalos de minhas “English home classes” agradecendo à Deus por me fazer ver que a liberdade (de pensamento e a física) tem um preço, muitas vezes amargo e parcelável em incontáveis prestações.

Com isso, aprendi a não me deixar abater por gritos de fantasmas ou deixar de me cuidar por conta das teorias da conspiração que acusam o governo de “sabotar” as vacinas da gripe suína (fui tomar a bendita como se eu fosse pra cadeira elétrica). Vou votar na Marina no primeiro turno, gostei da convocação do Dunga –  as boas notícias do mês – dia das mães rolou um domingo de lasanha na minha casa, com isso pude valorizar o sabor de se fazer novos amigos . Minha bronquite voltou, aprendi a me agasalhar melhor, também pudera: Itamonte está um frio do cão.

Enquanto não arrumo minhas tralhas rumo às águas minerais que me curarão de minhas mazelas respiratórias e estomacais (Fonte Vicky aí vou eu, acabar com sua àgua !!) vou respirando os ventos fétidos das fábricas instaladas no meu bairro (valeu, prefeito!  vc está conseguindo acabar com o ar puro da cidade). Altamente poluentes: garrafas pets, plásticos, bobinas e tintas, tudo de bão pra quem tem alguma fragilidade respiratória! trouxeram aquele ar de pseudo progresso.

Começo a reconhecer que eu sou amiga de muita gente que apenas me tem como conhecida – se esses “amigos” soubessem do amor que por eles tenho, jamais se desgrudariam de mim. Entretanto, não aceitaria que uma pessoa fosse igual a mim, a beleza da humanidade reside exatamente aí. Na hora que o calo aperta, apenas aqueles que realmente se importam com sua vida saem ao seu encalço. O restante nota a ausência, mas não corresponde. Abri minhas mãos para algo bem maior, então o que partir hoje de mim, receberei mais tarde de braços abertos e entrega total, como se nada tivesse acontecido.

Fora essas novidades, não tenho mais nenhuma novidade, não. Descobri que não ter internet em casa não me arranca nenhum pedaço e que não sou a última pessoa do mundo que precisa fazer uma faxina, as unhas ou costurar meias. Aproveitei o tempo para rachar duas cervas com a amiga, pra conhecer outras paragens.  Aprendi que pode ser legal jogar UNO um chuvoso domingo inteiro com as crianças, vendo Marley e eu, Diabo veste prada e A creche do papai, coisas que sempre achamos chatas de ficar repetindo, mas que conseguimos tirar uma lição bastante importante: a de que dessa vida  só levamos o amor que tivemos!

Beijos e abraços aos amigos fiés, aos leitores assíduos e aos poucos inimigos, o meu amor

Semíramis

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3 comentários sobre “Bad bad days… Semíramis Alencar

  1. Em tempo: estou a-do-ran-do “Passione” não costumo ver novelas, mas é tentador re-aprender italiano sem gastar nenhum tostão, hehehehe

    depois conto as novidades

    Se

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  2. To de volta…

    Feliz restabelecimento em sua saúde. Que Deus te proteja…

    Beijos… Ademário

    Eu sou assim… E serei bem melhor…

    Sou filho do tempo cruzando caminhos
    E amante da vida, da luz e da amizade sem fim
    E tenho em verdade muito que contar
    Nos meus primeiros passos não foi sempre assim
    Já fui só carbono e semente ruim

    E procuro por tímpanos que queiram me ouvir
    Viajei pelos ventos e enfrentei tempestades
    Vielas, caminhos e trilhas nos portais da imortalidade

    Já mudei de país e também de idioma
    Já vesti outros corpos entre o bem e o mal
    Delirei na miséria
    Desequilibrei com a fortuna
    E pensei que sabia sorrir e amar

    Foi preciso que a dor me ensinasse a pensar
    E pensando senti que precisava saber
    Que viver eu não sei a não ser com você
    Eremita se ilude e solitário não crê…

    Amordacei-me no orgulho e me perdi no egoísmo
    Feiticeiro e guru, sacerdote e profeta nos templos do nada
    Tive a cabeça raspada e a consciência vazia
    Amar a mim mesmo era só vaidade, até que a verdade dobrou-me os joelhos

    Olhei-me no espelho do abismo que era
    E do meu templo cratera escalei as paredes
    Apaguei o sensor de emoções primitivas
    E mendigo, me fiz mesmo sabendo ciências
    Rasguei cicatrizes de teimosas tendências
    E como flor recidiva me aflorei nas ruínas
    E procurei a menina que ia me convencer

    Que o amor faz sentido pra procriar, regenerar e crescer
    E troquei vaidades por atitudes amenas
    E por que a verdade é uma luz tão serena
    Milenar minha sombra diminuiu seu teor

    Descobri que a riqueza é o que ilumina a alma
    Que os valores maiores não têm medidas humanas
    E que o teto real é o azul do universo
    E que a toga moral é a luz da humildade
    E que na verdade eu sou o filho menor da verdade

    Que os caminhos da alma têm um começo sem fim
    Sou meu próprio herdeiro na procura que faço
    Um semblante de luz, um sorriso e um abraço
    E viver em harmonia com ideais prediletos
    E por todos os tempos
    Entre amores, amigos e afetos…
    E que a paz que se quer mora no gesto que se faz…

    Ademário da Silva – 23/março/2008 SOESFALUZCA…

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  3. So pra te dizer que estou contigo e não abro, mesmo morando tão longe… E te desejar restabelecimento real, emocional e espiritual…

    Beijos… Ademário

    Viagem!

    Quando eu não puder mais pousar em tuas noites
    Como se fosse lua a viver de emprestadas luzes
    E não puder mais dar um vôo rasante em teus dias
    Quando o som da minha voz não conseguir mais ferir teus tímpanos
    E o silêncio der uma volta redonda em teu tempo
    Ainda assim eu não estarei desfeito

    Não quero ser apenas saudades ou vagas lembranças
    Ter lágrimas como herança
    Imagem que a solidão emoldura
    Uma canção que a emoção cicatriza nos passos lentos do destino
    Ainda assim não serei o abandono

    Por mais que tua tristeza insista em pintar seriedade em meu sorriso
    E se lembrar de mim mergulhado no esquife
    Ainda assim não serei as sombras
    E ali não estarei, por que nunca estive, saí dos escombros minutos antes

    Mesmo que as coisas, o destino e os sentimentos não sejam mais como dantes
    Ainda assim, eu terei apenas me desmaterializado
    Me despregado dos despojos e mesmo com os sentimentos semimeliantes
    Mal me apoiando em meus passos vacilantes, minha luz bruxuleante adolesce e,
    Envelhece como prece apagada em pergaminho na minha memória cansada
    Ainda assim sou eu mesmo em outra definição que me configura imortal

    Quando o som dos meus passos em inusitados horizontes não mais significar a alegria da minha volta
    Mesmo que o silêncio lhe pareça abandono
    Mesmo que o suposto abandono lhe ameace com o desespero
    Mergulhe-se em alma nas águas da prece e tome um banho de luz no oceano dos sentimentos vividos

    Mesmo que a saudade seja um sorriso rasgado na boca da alma em silêncio
    O que eu ainda penso é que mesmo com a dor inoportuna, a alegria não pode morrer
    Mesmo que o sofrimento tente te empurrar para o nada
    Ainda assim não serei o vazio, muito menos imagem rasurada

    Sou agora mais do que antes como as águas do rio de impulsos mutantes
    Que não se assusta com as quedas, não se detém nas planícies e nem se demora nas curvas
    O que quero lhe dizer de fato é que não moro na morte ou no meio da escuridão
    Sou sim um espírito errante nos caminhos ainda de pedras, mas de outras emoções

    A vida num mundo de expiações e provas é pólvora de artifício que rapidamente perde seu brilho
    E sendo assim, se desprender da carga e da canga não é castigo tão pouco
    Zanga de um Pai que ensina com misericórdia os acordes da evolução!

    Mesmo que a gente demore a se ver por que os olhos da carne têm pouca acuidade
    A verdade é que a nossa amizade nunca vai se desfazer!
    A diferença reside entre o grotesco e o imponderável
    Meu tempo não mais será tão instável e nem sujeito às chuvas e trovoadas
    E mesmo assim não lhe serei tão invisível

    Aconchegado em poltronas de ventos sob a direção dos próprios pensamentos
    Viajo pelas telas do tempo para acordar seu coração cicatriz
    E sussurrar aos tímpanos de sua alma que apesar do firmamento lhe desenhar silêncio e segredos
    A vida do outro lado da fluídica cortina é luz que se nos fascina é movimento que seduz
    Portanto minha amada, amigos e familiares, agregados e opositores

    Não moro na Rua do silêncio no bairro dos horrores
    Como ensinou Jesus, na Casa do Pai há muitas moradas,
    Eu vivo na estância de um novo dia em plena alvorada,
    Que já não têm mais de noite, de dia ou de madrugada,
    Mas é luz de diamante irisada, que uma vez acesa jamais será apagada,
    A vida da alma livre e bem resolvida nos jardins de tantas galáxias iluminadas.
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    Ademário da Silva. – SOESFALUZCA – 08/jan.2008

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