Blogagem coletiva: Adoção um ato de amor

Esta blogagem coletiva foi proposta pela Geórgia Aegerter e hoje posto meu artigo sobre o generoso gesto da adoção, explicando que, antes de mais nada, considero a adoção pela ótica espiritualista, pois nesse quesito analiso a questão de que famílias constituídas por membros sem laços sanguíneos podem ser tão ou até mais felizes quanto as biológicas. 

Adotar uma criança é sim um ato de amor, incondicional. Segundo Allan Kardec:

 “O corpo procede do corpo, mas o Espírito não procede do Espírito” (Evangelho Segundo o Espiritismo – Kardec, A.)

Quando adotamos, ou pensamos em adotar uma criança, devemos estar cônscios de que entra para nossas vidas um outro ser humano, com uma bagagem afetiva, genética, histórica, diversa da nossa. Por outro lado, se pensarmos bem somos todos adotados, pois ninguém é propriedade de ninguém. Um filho nosso de hoje poderá vir a ser nosso pai ou mãe amanhã. Isso é o que estabelece a lei da reencarnação.

Neste plano terreno, onde tantas são nossas provas e expiações, assumir os cuidados para com uma criança que se encontra sozinha no mundo constitui a um só tempo, formar as bases para se criar um ser humano mais feliz e cumprir com uma etapa de uma encarnação bem sucedida. desta forma ter um filho adotivo ou biológico semper será para a família uma forma de ressarcir debitos anteriores, direta ou indiretamente, independente de serem da família ou da própria criança.

Qualquer pessoa pode adotar uma criança, desde que maior, com condições psicológicas e financeiras estáveis. Há uma crítica quanto aos casais homossexuais serem capazes ou não de adotar uma criança. Pessoalmente acredito que onde há amor, há compromisso e há a necessidade de ser amado, todas as maneiras de amar podem ser possíveis, afinal, são de almas reencarnantes de que estamos falando.  

Aonde há exercício da afetividade e da solidariedade fraterna, há progresso. NO EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO”, Cap. XI, item 9, diz: “Disse Jesus: ‘Amai o vosso próximo como a vós mesmos’. nossa relação com o próximo deveria de ser ilimitada, sem famílias, nações ou seitas para bloqueá-la, ou seja, a humanidade inteira. De livre arbítrio do indivíduo entender se o exercício que está fazendo dentro da relação é de solidariedade, desenvolvimento de laços fraternos, ou se apenas está baseado nas sensações e na busca da sensualidade.

Levando em conta que a constituição de laços de família é uma necessidade do Espírito, a família terrena é um instrumento para a construção da família espiritual. Desta forma, devemos ponderar que, ao adotar uma criança, devemos também estar conscientes de que assumimos a responsabilidade da problemática do ser adotado. O espírito Joana de Angelis nos alerta que os filhos recusados em outras etapas alcançar-nos-ão o lar ou a intimidade por processos transversos. Portanto, se você pensa em adotar uma criança , você pode estar adotando, nada mais nada menos, um ser que de alguma maneira está relacionado com sua vida anterior. Somos todos irmãos, ligados por um mesmo laço: cada indivíduo que passa por nós, nos deixam um pouco de si e leva um pouco de nós, Fernando Pessoa já dizia isso, quem somos nós para refutá-lo?

Entretanto, há aqueles casais que optam por uma união sem filhos, naturais ou adotados. Tal situação  não atende a todas as finalidades do casamento segundo a Doutrina Espírita, uma vez que  “A reprodução é uma Lei da Natureza sem ela o mundo corporal pereceria” (LE, 686). Segundo um planejamento feito anteriormente (no Plano Espiritual), um casal pode chegar a nunca ter filhos, atendendo a tarefas humanitárias, trabalhando pelo próximo, fazendo o bem ser ver a quem, em milhares de orfanatos, asilos, escolas e lares espalhados nesse planeta.

Um casal impossibilitado de ter filhos, agiria de acordo com a Caridade se os adotasse, pois esse seria um caminho de atendimento a algumas dessas denominadas  “tarefas humanitárias”. Se eles desejam filhos e não os consegue ter é porque certamente estão num processo de reabilitação, que eles podem apressar com a adoção de crianças desvalidas.

Enfim, adotar uma criança é um grande ato de amor e uma solução feliz para aqueles casais que não podem ter filhos ou para os que têm e sentem a necessidade de amparar mais um ser. Desta forma não estamos trazendo para dentro de nossas casas filhos sem pai nem mãe, mas sim, grandes afetos nossos de passadas reencarnações, espíritos com quem devemos nos reajustar. Os Órfãos, no Evangelho Segundo o Espiritismo (Cap 13, item 18), diz:

Os órfãos – 18. Meus irmãos, amai os órfãos. Se soubésseis quanto é triste ser só e abandonado, sobretudo na infância! Deus permite que haja órfãos, para exortar-nos a servir-lhes de pais.

Que divina caridade amparar uma pobre criaturinha abandonada, evitar que sofra fome e frio, dirigir-lhe a alma, a fim de que não desgarre para o vício!

Agrada a Deus quem estende a mão a uma criança abandonada, porque compreende e pratica a sua lei.

Ponderai também que muitas vezes a criança que socorreis vos foi cara noutra encarnação, caso em que, se pudésseis lembrar-vos, já não estaríeis praticando a caridade, mas cumprindo um dever.

Assim, pois, meus amigos, todo sofredor é vosso irmão e tem direito à vossa caridade: não, porém, a essa caridade que magoa o coração, não a essa esmola que queima a mão em que cai, pois freqüentemente bem amargos são os vossos óbolos! Quantas vezes seriam eles recusados, se na choupana a enfermidade e a miséria não os estivessem esperando!

Dai delicadamente, juntai ao beneficio que fizerdes o mais precioso de todos os benefícios: o de uma boa palavra, de uma carícia, e um sorriso amistoso. Evitai esse ar de proteção, que eqüivale a revolver a lâmina no coração que sangra e considerai que, fazendo o bem, trabalhais por vós mesmos e pelos vossos. – Um Espírito familiar. (Paris, 1860.)

Abraços fraternos,

Semíramis Alencar

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NOTA DA AUTORA: Por eu ser espírita, escolhi o tema Adoção perante o espiritismo, pois não concebo a adoção de outro ser sem o devido conhecimento espiritual. Essa é uma visão minha amparada nos ensinamentos de Alan Kardec, os quais acho justos e condizentes com nossa condição de encarnados. Entretanto, considero que muitos colegas possam não concordar com minha visão, por serem de credos diferentes ou mesmo por não possuirem nenhum. Todavia, estamos num país laico, com liberdade de expressão e de culto e achei justo colocar nesta postagem o que acredito ser de mais puro, bom e verdadeiro, o que é vital para a vida de todos os seres humanos.

Abraços Fraternos,

Semíramis Alencar

Confiram lindo vídeo sobre a adoção! outros vídeos sobre a importância da adoção na aba Varietas

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13 comentários sobre “Blogagem coletiva: Adoção um ato de amor

  1. BEM SOU MÃE A 5 MESES NA VERDADE ELE AGORA TEM 7 MAIS INESPLICAVELMENTE DESDE QUE SOUBE QUE ELE CHEGOU DO HOSPITAL QUIS CUIDAR DAR CARINHO COMO SE FOSSE MEU EU FECHAVA OS OLHOS E ACREDITAVA QUE ELE ERA MEU FILHO ATÉ QUE UM DIA ELA A MÃE BIOLÓGICA ME PROPÔS A FICAR COM ELE MEU CHÃO SUMIU FIQUEI EM ÊXTASE ELE É UM ANJO NA MINHA VIDA TENHO UMA FILHA DE 15 ANOS E DEPOIS DE TANTO TEMPO O MEU GABRIEL A MINHA BENÇÃO VEIO A SER MEU FILHO FIZ UM ABORTO QUE ATÉ HOJE ME FAZ SOFRER MTO E PEDIA MTO PERDÃO A DEUS POR ISSO ACREDITO QUE DEUS VIU O MEU SOFRIMENTO E ME DEVOLVEL ELE O MEU MENINO !

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  2. Puxa, Telma, que lindo! ser mãe seja lá como for é uma dádiva divina !! vc será muito feliz!!! Guarde bem seu tesouro!!
    Aproveite seu filho(a) ao máximo! ser mãe é a maior alegria na vida de uma mulher

    beijo e muita paz
    Se

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  3. eu estou vivendo a “gestação afetiva”…..já me sinto “grávida” sei que o espirito que vai se unir a mim como meu filho nessa encarnação por meio da adoção é alguém que eu amo muito, não sei o sexo, não sei a cor, não sei como é o cabelo nem a cor dos olhos……..mas amo muito muito isso, amo esse ser que se eu não conseguir fazer a pessoa mais feliz do mundo certamente vou chegar o mais próximo que eu puder……..é lógico que eu quero ser feliz mas acima de tudo eu quero fazer meu filho feliz….não sei bem se EU vou dar a oportunidade de fazer feliz uma criança mais acho que quem vai ter essa oportunidade sou eu……..sinto essa criança muito próxima de mim………..

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  4. Nada mais gratificante para ambos do que a adoção sou mãe do coração a 1 mês. estamos muito felizes sou espirita e nunca tinha lido o Cap 13. Sinto que existe algo entre eu e meu filho que não é de hj. quando nos olhamos pela primeira vez foi incrivel. amor a primeira vista . (ou a segunda quem sabe).

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  5. O que é ser um ser humano?
    Evoluímos para isso, para a cada nova geração nos redimir dos erros da humanidade. A Georgia foi muito feliz na abordagem deste tema; adoção é acima de tudo um ato de compaixão pela humanidade. Beijus

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  6. Nossa consciência fica em paz quando vemos que “Ninguém é de Ninguém” e quando se percebe que a adoção é um exercício do amor. Não é somente um ato de caridade, é também uma atitude do coração e pode ser um laço espiritual.

    Boa noite Semíramis!

    Cheguei até aqui através do diHITT. Alba Lux, é o nome que está no perfil do autor que assina esta matéria. Acredito que seja um “nick-name”. Será que estou “pagando mico”? rsrs (um pouco de bom humor… rs) Parabéns pelo seu informativo e lindo post. Também participei desta brilhante iniciativa da nossa querida amiga Georgia. Esta foi a minha primeira participação em uma blogagem coletiva, contudo entendo este movimento como uma campanha de incentivo. Hoje tenho como seguimento de fé a nossa querida Umbanda e sempre estou “mergulhado” em leitura nos livros de nosso mestre Allan Kardec. Livros de Robson Pinheiro, Mônica de Castro, Zibia Gasparetto, entre outros, também estão presentes em minha estante e em minha alma. Ainda tenho muito o que aprender, mas tudo isso “gritou” em meu coração e fez nascer o meu blog “Quiosque Azul – Um lugar em minha vida!”.

    O texto acima em negrito é parte do meu artigo nesta blogagem. Este tema me tocou muito e acabei contando um dos vários casos de adoção que tenho em minha família. Adorei connhecer o seu “cantinho”! Voltarei outras vezes e vou relacionar este seu iluminado texto ao meu artigo. Deixo um convite para me visitar e o link da minha publicação em seguida…

    Adoção é um exercício de Amor!

    Obrigado!
    Que os “Altos” sempre olhem por ti e pelos seus!
    Bjs de Luz! Renato

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  7. Que lindo comentário, Fábio
    Obrigada Roseli, Eliana, Geórgia e Fábio
    O que mais importa é a união e o amor dos espíritos encarnados… Jesus nos deixou a lei maior : amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo… assim quem somos nós para questionar os espíritos que se afinizaram na Terra. Encaro a adoção como um ato de amor incondicional pois devemos nos apaixonar por aquele ser, independente de como ele se encontrará no futuro, como se apresentará, quem ele será ou o que. Maior lição que as famílias adotivas nos dá é a de que nos corações humanos ainda há resquícios de fé, amor e paz, a caridade de Jesus que abraça ternamente a humanidade, multiplicando essas benesses por gerações.
    Abraços Fraternos
    Se

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  8. Mil vezes uma criança sozinha receber como pais um casal homossexual, do que continuar sozinha.

    Amor é uma via de duas mãos, alguém deve tê-lo para dar, para alguém recebê-lo. Se o casal é homossexual e tem amor para dar a uma criança, me basta para defender a união deles.

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  9. Oi Semíramis,
    Fazia tempo que não passava por aqui. Muito lindo seu texto sobre a adoção através da visão espírita. É sempre bom darmos os vários enfoque sobre a questão em si e perceber que o que importa, é sempre o amor que leva as pessoas a adotar e a amar incondicionalmente um outro ser.
    Bjs

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  10. Semíramis, me faz um favor, rs. Eu sei que meu sobrenome é um palavrao de se falar e de se escrever, rs. Corrige por favor: AEGERTER

    Se, o que tenho visto, lido e aprendido nesses meus 47 anos de vida é que sem AMOR, nao há vida. Podemos tentar buscar qualquer resposta para as nossas vidas, mas de nada valerá como a Bíblia assim o diz que sem AMOR, você inutiliza todas as outras coisas. E adotar, é um ato de amor. Desejar ter um filho seu ou nao é um ato de Amor.

    Um grande abraco e obrigada pela participacao

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  11. Olá Semíramis, tudo bem minha amiga?

    Passei aqui pra ler seu relato na blogagem coletiva.
    Muito bonito seu post. Realmente adotar uma criança é um ato sublime. Muitas vezes, como você mesma menciona, as pessoas se julgam caridosas por darem esmolas. Assim que deixam de enxergar a criança na rua, a esquecem. E partem com a sensação de dever cumprido.
    Precisamos mesmo batalhar para mudar estes conceitos.
    Parabéns pelo post.
    beijinhos e amanhã colocarei o meu no ar.
    bye

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