h1

Se calarem uma voz, mil ouvidos gritarão este silêncio

19/07/2008

E assim começam o regimes totalitários:  a gente se cansa de ser livre, quase sempre reclama com indignação da sociedade capitalista em que vivemos, da falta de respeito que a TV mostra, com as meninas rebolando alegremente em nanoshortinhos sexys, reclamamos que nosso filho adolescente está conectado direto no computador, que nossa filha fala uma outra língua quando plugada no MSN, enfim, desconfiamos até de nossa sombra e reclamamos de nossa tão recente democracia.

Parece que a gente se esqueçe da vida vigiada… ou gostamos de sofrer. Há pessoas hoje que enaltecem a volta da Censura e da violação de direitos. Estamos tão acostumados a ver um Big Brother que não analisamos, quando pensamos em monitorar a liberdade de expressão e o conteúdo dos sites, as conseqüências que isso pode trazer ao nosso cotidiano. Quando pequenos tememos que nossos pais descubram nossas fraquezas e ao descobrirem nos faça sofrer algum tipo de punição. Ao vir a punição, esta vem sempre sob o argumento de que ” é para o nosso próprio bem” . Assim ocorre com a relação oprimido-opressor.

Se pensarmos que com o medo que temos, podemos buscar num poder mais autoritário e mais rígido, a paz e o sossego de que necessitamos, estaremos apenas nos tornando mais fracos. Tal como um pai poderoso e regulador, o opressor pode assumir este papel e nos tornar de oprimidos à protegidos.

Se nos entregamos ao nosso opressor apenas porque não nos acostumamos com as mudanças e com as lutas é porque no fundo acreditamos que somos tão cruéis e tão omissos quanto o próprio opressor, daí tantos desejarem que a censura volte, daí tantos acreditarem que um regime mais centralizador e punitivo poderia ser o fim da violência, o retorno da moral e dos bons costumes, ou seja, medo, medo, medo.

O que se esquecem é que se calarem uma voz, mil ouvidos gritarão o silêncio. Já aconteceu antes, isso eu não temo. Temo sim a mentira deslavada dos políticos, os acordos escusos, os roubos milionários, à extinção das artes e da liberdade do ser humano de reinventar e mostrar para o mundo a maravilha de pensar, amar e se expressar. Censurar a mídia em geral é calar a memória nacional, é sepultar uma jovem democracia. Quem disse que nos interessamos pelos que os jovens têm a dizer.

Um Abraço

Semíramis

“Primeiro, mandam-nos calar; depois que calemos nossos filhos

em seguida nos travam o caminhar, nos quebram os ossos., submetendo-nos aos seus caprichos

quando menos esperamos costuram nossos lábios – é o fim de tudo, estamos mortos… ”

5 comentários

  1. [...] Será que estamos realmente revivendo um período onde as obras serão censuradas? [...]


  2. Aê garota! A liberdade é tudo de bom neste instante. A gente precisa defender com unhas e dentes. Obrigada por entrar na roda.
    bj


  3. Obrigada, Franz e roseli pelas observações. Não vivi o medo da censura plena, mas vivi sob os ecos desse passado sombrio, o medo de que qualquer coisa que alguém falasse sobre o governo, sobre a política, recaísse sobre a cabeça das famílias era uma constante.
    Se as pessoas pensassem que elas mesmas podem ensinar seus filhos a pensarem, ensinar seus governantes a governarem, apenas em pregar e fazer o certo ao invés de coibir a ação de nossos semelhantes não precisaríamos jamais de qualquer tipo de censura ou coerção. A gente deve lutar porque o pesadelo pode sim, voltar à qualquer instante!!
    abraços
    Se


  4. Semiramis, lindo texto de protesto e alerta sobre essa “Besta” rondando nossa sociedade novamente. Eu também fiz parte dessa blogagem coletiva. Temos que fazer nossa parte alertando a todos e lutando sempre pela presenvação da democracia plena. Seu blog está lindo! Parabéns!
    Bjs


  5. Semírames, esse seu texto é um manifesto contra a hipocrisia da censura na Web, na TV, nos jornais, na midia enfim. Parabéns!!!
    Franz (http://esteblogminharua.blogspot.com)



Deixe um comentário